As imagens confirmam as constatações de maus-tratos feitas nesta semana em operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual e agentes da Polícia Civil. Na maior parte do tempo, as gravações foram desfocadas para esconder a nudez dos pacientes e tornar publicáveis cenas chocantes.
Com uma câmera escondida, um produtor se infiltrou durante vários dias como empregado na lavanderia do hospital. Um dos primeiros flagrantes mostrados foi o uso de pacientes como mão de obra na própria unidade. Deficientes físicos e mentais apareciam em tarefas que deveriam ser desenvolvidas por funcionários, como um paciente com dificuldade para caminhar que transportava sozinho um enorme cesto cheio de cobertores. Em outro momento, outro paciente prende o dedo numa máquina de lavar e é repreendido por uma funcionária. De acordo com a reportagem, após dura jornada de trabalho, o interno que atua como empregado é recompensado com um copo de café.
Fezes espalhadas pelos quartos e corredores, pessoas deitadas em camas sem colchões ou até mesmo no chão, além de agressões foram registradas pelo programa. O que a câmera não registrou foi revelado pelos próprios pacientes ou em depoimentos de funcionários. Um dos entrevistados relata que sofre diariamente ao ser amarrado ou espancado com socos e chutes por um funcionário. Os pacientes também reclamam da má qualidade da alimentação e da falta de higiene na cozinha, onde haveria ratos. De acordo com os relatos, alguns doentes mentais chegam a ingerir insetos, roedores, sapos e até mesmo fezes por falta de supervisão ou por serem privados de refeições em quantidade satisfatória.
Durante o período em que o produtor esteve no hospital, um dos internos desapareceu. A suspeita é de que havia fugido. Somente sete dias após o sumiço os funcionários iniciaram uma busca numa região de mata, livre de cercas ou muros. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas não encontrou nenhum vestígio do desaparecido. Ainda durante o tempo em que o programa acompanhou a rotina do manicômio, um paciente morreu, supostamente por ter engasgado enquanto comia pão.
Enfermeiros e auxiliares confessam que são avisados com antecedência sobre as fiscalizações realizadas na unidade ligada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Eles explicam que trabalham dobrado antes das inspeções, com a intenção de deixar tudo limpo e disfarçar os problemas no local.
A investigação durou vários meses e antes de irem ao ar, as imagens foram entregues ao Ministério Público. O programa também informou que o trabalho jornalístico motivou a operação que envolveu promotores e policiais na última terça-feira.
Texto: Cruzeiro do Sul
Reportagem exibida pelo programa Conexão Repórter


























































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